Querido pai,
Me disseram que o senhor tudo sabe, tudo pode e tudo vê. E mesmo sabendo de tudo isso, ainda assim me sinto na obrigação de te contar como as coisas estão ruins por aqui.
A paciência acabou, a força também, o amor titubeou e tudo que sobrou foi a vontade de dormir.
A fé tá aqui, as vezes quando eu chamo, ela aparece e me olha de longe, mas logo corre e se esconde novamente. Algo me diz que ela tá querendo alguma coisa com essa brincadeira de esconde-esconde. Contudo, na minha imensa ignorância, ainda não consegui decifrar seus mistérios.
Deus, a luz faltou, o horizonte tá cheio de neblina, eu não consigo visualizar nenhuma beleza a minha frente. Eu sinto que tudo não é isso. Não é possível que tudo se resuma a correr contra o tempo, obedecer a uma hierarquia burra no emprego e a estudar coisas em livros que não alcançam os fenômenos que vivemos de fato.
Tudo que eu tô vivendo me ensinou mais que todos os livros que já li.
Por que eu sou obrigada a ler tantos outros?
Por que estamos tão intolerantes?
Por que tá tão difícil escutar o outro?
E por que me escutar tá doendo tanto?
Sei que essa SMS foi quase um livro daqueles chatos que eu disse que tava cansada de ler, mas é urgente, é pra saber pra onde caminhar na vida, já que a luz faltou e todo caminho agora é escuro.
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