domingo, 31 de julho de 2011

" Eu acho que tenho certeza daquilo que quero agora..."

Você consegue voltar no tempo e lembrar da resposta que dava quando te indagavam com a clássica: "o que você quer ser quando você crescer?" Hoje me peguei pensando nessa pergunta e ela ficou ecoando dentro de mim por alguns instantes, enquanto eu tentava entender porque eu não conseguia lembrar da resposta que eu tinha pra essa pergunta. Sim, eu tinha. Descobri que não tenho mais. Acho que quando eu era criança não imaginava a imensidão de coisas que se pode ser e de que algumas coisas você não escolhe(ou escolhe sem perceber que está escolhendo, se é que isso é possível). Hoje, talvez por insegurança eu não tenha essa resposta em mim, pra mim. As situações que a vida nos envolve e que acima de tudo, nos deixamos envolver nessa vida, nos faz criar cascas para nos proteger de futuras quedas. Quando na verdade, são apenas soluções imediatas e ingênuas que não nos livra de nenhum abalo, nenhum afeto. Possivelmente essa seja a maior dor: a de não se permitir viver, onde a arte de se "proteger" está intimamente ligada a de se privar, quase sempre. Quem se priva não vive na essência, em plenitude, não sabe dizer se gosta de alguma comida porque não se permitiu provar, nem sabe se os lugares fora do casulo em que mora são bonitos porque não cria asas pra voar.
Me privei de muita coisa, muitas vezes não fui eu, comi o que eu não gostei, fui pra onde eu não queria. Cheguei a conclusão que eu não esqueci a resposta pra pergunta que me incomodava, eu apenas mudei de resposta. E talvez a busca ṕor essa resposta seja contínua ou ela mude a cada amanhecer.

3 comentários:

  1. Tempo e Espaço é tudo que precisamos para essa frase.. "o que quero ser quando crescer?". É pelo tempo e espaço que fazemos essa travessia... Isso querida, atravesse... e a esquina não é o melhor lugar, apenas para nos posicionar e decidir para onde queremos ir.

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  2. Eu me lembro da minha resposta. Lembro exatamente o que pensava querer ser quando tinha seis anos. Queria ser outra pessoa, criança tem dessas. Pensava que aos dez anos acontecia uma espécie de magia e eu poderia escolher ser do jeito que eu queria ser... Mudei de resposta pq agora eu gosto de ser eu e acho que acada dia venho mudando a minha resposta porque eu mesma vou mudando... O devir, é a nossa vida e o devir deve ser a nossa resposta.

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  3. "Existem grandes nacos da vida adulta sobre os quais ninguém fala em discursos de formatura. Um desses nacos envolve tédio, rotina e frustração mesquinha."

    Eu cito isso não para ser negativa, mas para falar do que ninguém fala ou pergunta para uma criança. Eu hoje responderia, eu vou viver, e vivendo, vou estar sempre a deriva, gosto mais dessa forma, não quero categorias.

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