terça-feira, 26 de março de 2013

A conturbada arte de entender que namoro não afeta as amizades

Sou o tipo de pessoa que reluta para conseguir dizer um não, que pensa sempre nos outros(principalmente os que quero bem) antes de pensar em si e que não mede esforços para ajudar um amigo. Não quero com isso me vitimizar e utilizar tais fatos como argumentos para minha chateação de hoje. Mas, de alguma forma eu tinha que colocar isso para fora e ao invés de externalizar isso em outras redes sociais de maior visibilidade, vim deixar aqui a minha decepção do dia. Creio que muitos se identificarão e poderão dizer que já passaram por isso: a exclusão por parte de um grande número de amigos após VOCÊ começar a namorar.
Não acredito que seja inveja, despeito ou sentimentos do tipo. Acho que passa pela cabeça das pessoas que ao mudar seu status de relacionamento, tudo muda e todos os programas a serem feitos terão apenas o cônjuge como companhia exclusiva, o que não se aplica a meu namoro e a muitos que conheço. 
O pior de tudo é quando você se preocupa em arranjar algum tempo para ligar, mandar mensagem para esses amigos que simplesmente não lembram de fazer o mesmo por você. Sempre falei em alto e bom som que a reciprocidade era o meu lema. No entanto, esqueci de verificar quem realmente estava passando algo de bom pra mim, estava me dando atenção sem cobrança e demonstrava querer me ver, não apenas falava via internet que tinha saudades(ou nem isso). 
À vezes me questiono se sou eu quem está se excluindo, mas aí lembro de vezes que procurei, que tentei manter contato e não vejo os mesmos atos vindo do outro lado.
Talvez eu tenha mesmo que parar de enrolar e tenha que conseguir mais tempo para estar com os amigos, sim, mas só para os que sentem o mesmo e querem estar comigo com a mesma intensidade em que desejo estar ao lado deles. Hoje eu descobri que devo me culpar menos por tudo, por tanto, por tão pouco. E quem realmente fizer questão de minha presença e me considerar igualmente, relevando até as distâncias físicas, demonstrará essa inconformidade pela minha ausência, ainda que eu não demonstre o mesmo tanto quanto gostaria.

Um comentário:

  1. Eu estive dos dois lados (você também). Fui a amiga solteira que não entendia que a outra namorava e tinha que dedicar parte do seu tempo ao namoro e sou a amiga namorada para quem hoje tudo faz sentido. Fiquei mais flexível depois de passar para o outro lado. Entendi que amigos fazem nossa questão o tempo todo e que as reclamações apenas demonstram isso, só que hoje, do lado de cá, muitas vezes me sinto como você. Contaminada pelo namoro, quase como se as amigas solteiras sentissem a necessidade vital de se manterem afastadas para fazerem parecer que vivem num mundo mais divertido do que o nosso. Egoísmo é a palavra. Não inveja, mas egoísmo. Isso é muito triste de ser constatar. Te amo, amiga!

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